Falando… com classe #3: Para aqueles que dizem que a kayfabe morreu.
Publicado em 24 de Novembro de 2009 às 00:00 por Knuckles (9 posts publicados no bGW)
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O calendário passa, sempre carecendo da força necessária para combater as ancestrais leis temporais. Deste modo, volto novamente esta semana, com um tema demasiado básico para ser redigido, com como está a ser preocupadamente apoiado por uma série de jovens pensadores de características pseudo-intelectuais, decido vir novamente falar (digitar) com… classe.

Primeiramente, e antes de começar a expor o um ponto de vista, devo afirmar que incontornavelmente, sou muito pouco neo. Sim, apesar de uma relativa tenra idade (quando comparado com a maioria do cronistas deste blogue), admito que existe uma medonha faceta do meu ser subconsciente que aguerridamente surge, em contraposição a muitas modas contemporâneas.

Não que não aprecie arte contemporânea. Adoro cubismo, modernismo ou futurismo, mas desde que estas cadeias ideológicas sejam minimamente bem empregues e com um grau de elaboração claramente excedente aos padrões da normalidade! Se estiver presente a um quadro de Amadeu de Sousa Cardoso, ou Pablo Picasso, por muito modernas e de múltiplas interpretações que sejam as suas obras de arte (por de facto, é isso que o são), reconheço o maior dos talentos e créditos por tal esbanjo de qualidade, que engrandece qualquer local. Mas, e assumindo uma posição antagónica, se me deparar com uma risca preta num quadro branco, e venham os maiores críticos e entendidos na temática que se dispuserem a argumentar, aquilo não passa de uma risca. Por mais que digam que pode representar o sofrimento, ou a dor de pensar, ou a dor de existir, aquilo para mim não passará de um mero traço, sem qualquer qualidade associável, que até eu faria de olhos fechados. E não em venham com tretas filosóficas de segunda, porque sentimentalismo barato têm as palavras! Uma obra deve ser um expoente máximo em todas as suas vertentes, mas essencialmente na que procura o objectivismo determinado na área em permanente execução.

Serve toda a crítica artística acima digitada, para dar início ao meu artigo, no que à modalidade em si concerne. Recentemente, tenho lido umas afirmações, de cariz, eufemísticamente falando, digamos… curiosas. Dizem que a kayfabe no Wrestling morreu. E muito sinceramente, caro leitor, nem sei se me hei-de rir desalmadamente até que me falte o ar na mais minúscula célula pulmonar, ou se hei-de contemplar tal afirmação com um espanto crescente, chegando a incredibilidade perante os factos ali expostos.

Isto porque, e digam o que dizerem, o Wrestling vive da kayfabe, mesmo que saibamos que os factos narrados no ringue são falsos. Pode parecer uma afirmação em jeito de antítese, mas muito pelo contrário… não é mais do que uma noção básica da modalidade. Se de um dia para o outro, os wrestlers perdem essa “máscara” que cobre toda a sua infame personalidade, a face que geralmente é exposta a todo o público mundial, então o que acontece dentro dos ringues não passa de um espectáculo… de dois homens (ou senhoras, não me tomem por machista) a enveredarem o mais potente do seu arsenal, sem qualquer sentido ou preposição para tal. Arriscar-me-ia a compará-los a gladiadores romanos, que lutam com a simples finalidade de entreter toda a arena, mas até esses tinham um propósito: salvar a sua vida. Já o wrestling sem kayfabe, era quase como que futebol sem bola ou basquete sem tabelas (favor de não comparar as analogias transactas a uma qualquer letra de uma música da Adriana Calcanhoto). É simplesmente um troca de espectaculares golpes, movimentos, rotações, chaves, submissões, em busca de simplesmente nada… ou então de entreter o público que duvido seriamente que na sua maioria aprecie este tipo de situações.

Aliás, existem algumas companhias no circuito independente a praticarem este tipo de neo filosofia, tendo como resultado os aborrecidos spotfests e os seus colaboradores e realizadores, os caricatos spot monkeys.

Se tal filosofia vier a ser empregue futuramente (o qual espero sinceramente que não, até porque as lides do wrestling mundial estão nas mãos de um ser astuto e inteligente para que tal não aconteça), então para que finalidade manter as storylines, ângulos, entrevistas, e todos os possíveis cenários que se possam elaborar com estes conceitos em mente, se sabemos que nem os wrestlers cumprem com o que lhes é destinado? Se no fim do combate, embora o primeiro tenha matreiramente tido um caso com a namorada do segundo, no fim do show, ou no próprio ringue, vão-se alegremente cumprimentar e beber cerveja? Terá isto o mínimo cabimento lógico?

 Na minha modesta e singela opinião, Wrestling sem kayfabe… simplesmente não é Wrestling.

Boa semana a todos.

23 comentários a “Falando… com classe #3: Para aqueles que dizem que a kayfabe morreu.”
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  • VIP
    Knuckles
    28 de Novembro de 2009, 19:48

    Com esse nick, é verdade bem verdade :D

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  • Blessed Penis
    28 de Novembro de 2009, 16:44

    só rir

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  • VIP
    Knuckles
    26 de Novembro de 2009, 14:06

    Escusado será também dizer que nenhum dos comentários acima elaborados partiram da minha pessoa.

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