Styles Clash XXV
Publicado em 26 de Novembro de 2009 às 00:01 por Styles (52 posts publicados no bGW)
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O mundo do Pro Wrestling está e sempre estará em constante progressão, e modificação. É um ramo que não pode ficar “estagnado” durante um longo espaço de tempo, mantendo os mesmos moldes e seguindo um caminho tipicamente tradicional. È necessária uma constante inovação, pois sem ela o Wrestling como vertente de entertenimento correria risco de extinção.
O Wrestling como o conhecemos na actualidade sofreu enormes alterações ao longo das várias décadas de existência da modalidade como Entertenimento Desportivo.
Desde os tempos em que o Wrestling era um local de culto apenas em pequenas regiões dos Estados Unidos (neste caso) até ao reconhecimento e visibilidade á escala mundial, muita água correu por baixo da ponte.

Desde os tempos em que a essência do espectáculo do Wrestling se baseava no confronto entre dois homens, que trocavam chapadas, socos, e um reduzido leque de manobras que poderiam durar longos minutos. Puro, simples, e duro. Até ao espectáculo actual, a junção do Entertenimento e da componente física, sendo tudo muito mais elaborado.

Passando pelos reinados dos Campeões que duravam vários e longos anos, em contraste com a cada vez mais frequente troca de títulos na actualidade, (e ainda consideramos que reinados de ¾ meses são muito longos!) tudo passou por uma clara e total remodelação, tempos diferentes – ideologias/mentalidades diferentes – produtos diferentes.
È preciso adaptarmo-nos ao tempo em que vivemos, e certamente no futuro o Wrestling terá uma face diferente da que têm actualmente!

Apesar de tudo, algo é intocável: a história. É impossível de ser apagada. Impossivel de ser alterada. E alguns capítulos dessa mesma história, são e serão impossíveis de ser esquecidos.
Para a história ficam as grandes lendas que foram parte essencial do crescimento do Pro Wrestling, ficam os grandes combates que deixaram marcados nas mentes dos fãs cada momento dos mesmos, mas acima de tudo ficam as rivalidades épicas que reservaram um lugar na história e que 20, 30, 40 anos, ainda serão mencionadas com saudosismo.

 

Na década de 60 brilharam dois homens que proclamaram um merecido lugar no patamar de lendas Imortais no mundo do Pro Wrestling : Lou Thezs e Bruno Sammartino. Ambos foram, provavelmente, os grandes pilares que suportaram o sucesso futuro das companhias que representavam; NWA e WWWF, respectivamente.
Lou Thezs foi argumentavelmente a maior lenda da História da National Wrestling Alliance.
Thezs esteve presente desde a fundação da companhia em 1948, e devido a toda a sua habilidade técnica (foi o inventor de várias manobras) o seu lugar no topo sempre foi indiscutível. Prova disso as 6 vezes em que conquistou o Titulo Mundial da NWA, incluindo o reinado que se prolongou por 10 (!) anos.
Para a história ficaram também as suas rivalidades com estrelas como Billy Whatson ou o “Nature Boy” Buddy Rogers, com quem detinha uma rivalidade que transcendia o plano profissional.

Bruno Sammartino ficará para sempre lembrado pelo seu incrível poderio físico (para a altura) e o forte apoio que sempre possuiu junto dos fãs, fãs esses leais que choravam e sorriam com Bruno. O “Italian Stalion” deteve por duas vezes o Titulo Mundial da WWWF, que em conjunto resultam em cerca de 12 anos de Sammartino como campeão.
O homem que muitos consideram ser a maior lenda da história da WWWF ( e indirectamente da WWE) foi praticamente intransponível durante longos anos na WWWF sendo rara a vez em que sairia derrotado.
Lutou com todos os grandes nomes da altura incluindo Killer Kowalski, mas a rivalidade, provavelmente, mais marcante da década ocorreu com o seu antigo aprendiz Larry Zbyszko que o traiu num dos Heel Turns mais chocantes da época, atacando-o violentamente e dando assim inicio a uma rivalidade com forte carga emocional á mistura que culminou num brutal Steel Cage com Sammartino a sair vencedor, de uma rivalidade que ficou marcada para sempre na sua carreira.

 

Na década de ’70 tiveram destaque dois Hall of Famer’s da WWE e certamente duas das Superstars com mais consenso e reconhecimento junto dos fãs e companheiros: Ric Flair e Dusty Rhodes.
Ric Flair – simplesmente o homem que a grande maioria apelida como sendo o maior e melhor Wrestler Profissional na História.
O “Nature Boy” esteve presente em vários momentos chaves na história do Pro Wrestling.Foi ele que juntamente com homens como Harley Race, Arn Anderson, e Dusty Rhodes levou a NWA a outro patamar revolucionando em certa parte a indústria.
Foi ele que esteve presente quando a WCW superava a WWF nas lutas de Segunda-Feira, e que também saltou do barco quando este se afundava, dirigindo-se á WWE e que repetidamente afirmou ter ficado contente com o encerramento da WCW demonstrando assim o sentimento de desprezo que têm pela companhia fundada por Bishoff!
E também foi ele que ajudou ao estabelecimento e afirmação de uma “Evolution” na WWE.

Dusty Rhodes não foi maior que Ric Flair, mas certamente, não lhe deve muito!
Toda a carreira do ‘American Dream’ esteve envolvida em momentos chave na História do Wrestling, e em 2007 isso mesmo foi reconhecido pela WWE ao deixar o seu nome marcado para a eternidade no Hall of Fame. Para a História ficam rivalidades épicas com Abdullah The Butcher, Terry Funk, Ric Flair ou Nikita Koloff e dois filhos que seguiram as suas pisadas. O ‘bizarro’ Goldust e o seu irmão mais novo Cody Rhodes que agora se encontra como um fiel aliado de Orton e a sua Legacy.
Para a história da década de 70’ fica a rivalidade entre Dusty Rhodes e os “Four Horseman” , mais directamente Ric Flair que marcou uma geração, e transformou a rivalidade entre o Nature Boy e o American Dream numa das mais famosas e aclamadas rivalidades de sempre. A longa batalha Dusty Rhodes – Ric Flair em tudo foi épica.

 

Se mencionarmos a época de 1980 e a contextualizar-mos no panorama do Pro Wrestling um nome surge imediatamente na nossa mente: Hulk Hogan. Numa análise directa, curta, e simples Hulk Hogan é simplesmente a maior estrela de toda a história do Pro Wrestling.
Afinal, que momentos poderiam ser mais marcantes que os de Hulk Hogan? Foi ele, que com as suas próprias mãos consegui levantar homens como King Kong Bundy, André The Giant, Earthquake, tal como se todo o seu poder transcendesse de uma força divina. Foi ele que defendeu a América batalhando contra Sgt.Slauhter. Foi ele que passou a tocha para o Ultimate Warrior.Foram estes momentos que marcaram fãs por todo o Mundo – especialmente crianças – dando um estatuto de Héroi a Hogan, permitindo ao Wrestling dar passos gigantes para uma Era dourada de popularidade, e de aceitação por parte do público como nunca antes tinha acontecido, e que argumentavelmente, não mais foi atingido até agora.

Por consequência é na década de ’80 que surge, aquela que foi, talvez, a saga mais famosa de todos os tempos: Hulk Hogan vs André The Giant.
Esta rivalidade que ficará para sempre imortalizada na história produziu o momento mais memorável da história de uma Wrestlemania: Hulk Hogan fez o que parecia impossível e derrotou o gigante mais poderoso de sempre.
Um momento que define bem as proporções épicas desta rivalidade.
 

Na década de ’90 surgiram e/ou afirmaram-se algumas das maiores estrelas da História da WWE – The Rock, Steve Austin, Triple H ou Shawn Michaels são apenas alguns nomes que ilustram bem o “Star Power” que a década de 90 produziu.
Poderiam-se destacar várias rivalidades como por exemplo, a colossal “feud” entre o “Anti-Herói” Steve Austin e o Patrão Vince McMahon. Muitos momentos memoráveis e absolutamente decisivos para a afirmação da WWF sobre a WCW, foram fruto desta rivalidade. Mas aquela que perdurará para sempre na memória de todas, tanto pelos clássicos embates que dela resultaram, e pela enorme controvérsia que sempre gerou é obviamente a de Shawn Michaels e Bret Hart.
O “ódio” mutuo que já sentiam fora-de-ringue foi certamente um tónico essencial para o sucesso desta rivalidade: Shawn e Bret não precisavam de fingir que eram rivais e inimigos porque já o eram na realidade.
Certamente que pelo talento e qualidade de ambos esta rivalidade teria proporções históricas, mas sem dúvida, que o famoso Screwjob em Montreal assegurou que esta seria um capitulo inesquecível, e que iria ser lembra
do não só como a feud da década de ’90 como uma das maiores de sempre.
 

Passando por todas estas gerações, é altura de olhar para a maior rivalidade da época actual, e que motivou este tema.
Nos últimos 9 anos ocorreram rivalidades que não deixaram ninguém indiferente.
Poderiamos mencionar sem correr qualquer tipo de riscos embates como o de John Cena e Edge. Poderiamos relembrar a batalha entre dois amigos, quando o falecido Eddie Guerrero declarou guerra aberta a Rey Mysterio, sem esquecer aquela que para muitos foi a melhor rivalidade desde há muitos anos, a ansiada saga entre Triple H e Shawn Michaels.
Mas nenhum destes representa verdadeiramente a rivalidade da nova geração.Essa rivalidade começou há 3 anos atrás, mas nunca teve um verdadeiro fim de capitulo, fim esse que finalmente chegou no passado mês de Outubro do Bragging Rights.
 
Falo claro da rivalidade entre os dois maiores nomes da actualidade na WWE – Randy Orton e John Cena.
Ambos da mesma geração, ambos deram os seus primeiros passos na WWE praticamente ao mesmo tempo, e ambos podem ser considerados como as duas maiores estrelas do Pro Wrestling actual.
Tudo começou em 2007 quando Randy Orton tinha em mente instalar a “Age of Orton” na WWE ás custas do campeão John Cena. Depois de duas tentativas falhadas de roubar o titulo a Cena no Summerslam e no Unforgiven, a sua terceira hipótese pelo titulo no No Mercy acabou por não acontecer, pois Randy Orton decidiu terminar com este capitulo antes mesmo de começar “lesionando” (kayfabe) John Cena, e assim deixando em aberto o titulo que lhe viria a ser entregue por Vince McMahon, numa noite conturbada, em que Randy Orton perdeu e recuperou o titulo na mesma noite, frente a Triple H.
A rivalidade entre John Cena e Orton que mal chegou a começar, teve um parcial recomeço quando John Cena garantiu via-Royal Rumble um lugar no Main Event da Wrestlemania onde iria defrontar Randy Orton mas com o acréscimo de Triple H a essas contas.
O “Legend Killer” saiu vitorioso e mais uma vez a feud entre ambos tinha uma nova quebra em 2008.
Até que finalmente este ano a batalha que envolve aqueles que não só dominam o presente, mas que representam também a segurança da WWE no seu futuro, iriam dar finalmente seguimento (e conclusão) a este já clássico embate.
 

As circunstâncias actuais são diferentes. Randy Orton já não é o mesmo de 2007. Agora ele é uma víbora, fria e calculista que ataca quando menos se espera, e que é letal nas suas investidas. Agora Randy Orton intrepreta a sua personagem de forma eximia. Desde o seu olhar gelado, até ás suas expressões quase diabólicas, a sua intrepretação é perfeita. Acompanhado pela forma que actua em ringue, que pode não ser tão entusiasmante como as manobras voadoras de um High-Flyer, mas que assenta perfeitamente naquilo que a sua personagem transmite. È puro entertenimento, ver Randy Orton dissecar aos poucos os seus adversários, trazendo um ângulo muito mais realista á forma de ver o combate. Já John Cena não se alterou muito em termos de personagem, mas consegui recuperar alguma frescura á sua imagem e cada vez dá mais provas de que É um bom wrestler. Podem odiá-lo, ou adora-lo mas as nossas opiniões não podem adulterar aquilo que é a realidade, e na realidade John Cena têm parâmetros bastante evoluídos no que ao Wrestling diz respeito. Sim não é o mais vistoso em ringue, até porque têm um Move-Set mais “Old-School” o que pode não ser tão atractivo para a geração actual, mas a sua psicologia em ringue e capacidade de vender um combate é condizente com o alto estatuto que têm na WWE.
 
Depois de se terem confrontado em todo o tipo de combates, deste o “Hell in a Cell” até a um “I Quit Match”, depois de muito confronto e animosidade, e de várias reviravoltas a longa história de Cena e Orton teve um fim no “Ironman Match” que viria a ditar quem iria sair como vencedor incontestável desta rivalidade.Apenas haviam duas saidas: Randy cumpria finalmente o seu objectivo de eliminar John Cena do seu caminho, obrigando-o a começar um novo capitulo da sua carreira nas sextas-feiras da Smackdown, ou John Cena finalizava este conto da forma tradicional, com o bom da fita a derrotar finalmente o grande vilão desta saga. 
 
Quando tudo parecia estar já terminado para John Cena, e com o tempo a correr a favor do maléfico Randy Orton que estava perto de levar o seu plano a bom porto, um Cena ensanguentado, exausto, e que parecia já sem forças acabou por conseguir miraculasamente vencer o mestre do “RKO” já nos últimos segundos do combate.
 
O pano descia e a cortina fechava-se em contornos de final feliz para John e a sua “Cenation”. Foi assim selada a chave-de-ouro a saga entre Cena e Orton, com ambos a seguirem agora caminhos diferentes e com a oportunidade de no futuro, juntarem mais capitulos de ouro aos seus Legados, e com a certeza de puderam olhar para trás e constatar que a história entre eles afirma-se como a mais marcante da década actual, e como a referência da nova geração.

7 comentários a “Styles Clash XXV”
  • Décio
    3 de Dezembro de 2009, 9:28

    Muito bom o poste só faltou a grande rivalidade de Austin vs the rock

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  • hugohhh
    27 de Novembro de 2009, 17:47

    Mais um fenomenal texto, do fenomenal Styles.Brilhante :)

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  • Napster
    26 de Novembro de 2009, 23:24

    Ok, Styles! :p

    P.S.: Como já tinha comentado o texto anteriormente, não vou tecer mais comentários. Digo só que está sensacional! :)

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  • Robson"War Machine"
    26 de Novembro de 2009, 23:21

    ñ costumo comentar no por aki, mas esse txt realmente merece…
    simplesmente sensacional
    parabéns e continua….

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  • VIP
    Styles
    26 de Novembro de 2009, 21:06

    ^
    Obrigado Commando! :D

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    È normal que tivesses lido pois já tinha sido postado, apenas foi re-editado pela simples razão de que a altura em que este texto foi postado o BGW andava com alguns problemas no servidor na altura da mudança para a plataforma WordPress e decidi voltar a posta-lo porque muitos poderão não ter tido a oportunidade de o ler, e também porque o postei como um “extra”, porque voltarei a publicar até ao final da semana.

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  • Napster
    26 de Novembro de 2009, 20:27

    Eu já li este texto… Aliás, a única modificação que vejo são os dois últimos parágrafos, o resto já tinha aqui sido postado!

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  • Commando
    26 de Novembro de 2009, 20:00

    Incrivel.. Uma cronica destas num blog destes e ainda sem comentarios…
    Está espectacular Styles, adorei ler, confesso que raramente vinha aqui, mas com textos da qualidade deste, vou vir aqui com mais assiduidade com certeza.
    Fica bem e continua assim, que continuas muito bem. Abraço.

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