Hunting Zone XLI
Publicado em 13 de Dezembro de 2009 às 00:02 por Hunter (178 posts publicados no bGW)
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Righting the Ship

Hemorrhaging Money

Em 1993, a WCW era uma companhia que obtinha 24 milhões de dólares, que perdia cerca de 10 milhões por ano. Existia uma imensa pressão em todos nós nessa altura para revertermos a situação. Discutimos o que fazer de todas as perspectivas possíveis. Apesar de não estar  a cargo de outros departamentos, estaca contente por ter algo a dizer.

Vindo do Minnesota e começar como um estranho, eu não estava nada familiarizado com a história da WCW e da NWA. Não sabia muito sobre os legados das velhas promoções, que ao ver de muitas pessoas, isso era bastante importante. Na minha opinião, se fossem mesmo importantes, a companhia não teria problemas financeiros para começar. Talvez em retrospectiva eu não devia ter desrespeitado a história e as tradições da NWA/WCW  tanto como fiz.

O que me preocupava mais na altura era dar à companhia uma visão nacional invés de uma visão regional. Estávamos empenhados em competir por patrocinadores, tais como os M&M’s, Mars e todos esses doces do mundo, as fábricas dos brinquedos e os grandes retalhadores. Focarmo-nos nas personalidades e histórias regionais, não fazia com que me alegrasse nem um bocado. Não achava que fazer isso iria convencer os patrocinadores e a audiência de que a WCW era uma alternativa legítima à World Wrestling Federation.

Heresy

Eu e o Bob Dhue começámos a chocar muito cedo. Algumas das coisas que o Bob queria fazer não faziam praticamente sentido nenhum. Por exemplo, a solução dele para fazer aumentar o dinheiro nos eventos ao vivo era fazer mais eventos ao vivo. Invés de fazer, digamos, cento e cinquenta espectáculos por ano, ele queria que fizéssemos duzentos e cinquenta.

Bem, o problema residia em, não se encaixar no lugar. Se estamos a perder dinheiro cada vez que saímos pela porta, porque raio iremos sair porta mais umas cem vezes? Até se aperceberem da mudança do produto, aumentar os eventos ao vivo iria só aumentar a nossa perda monetária.

A minha posição era, vamos cortar o mal pela raiz, ou seja não há eventos ao vivo para ninguém. Saímos porta fora cerca de vinte e quatro vezes por ano ou quando precisamos de fazer programas televisivos ou Pay-Per-Views, e fica feito. Mesmo que não ganhássemos nada dos eventos ao vivo, estaríamos também a perder menos. Muito menos.

E isto era uma ideia totalmente contrária ao que “todos” sabiam sobre o negócio do wrestling. Era o mais heresiarca que podia ser. Se voltarmos aos tempos antigos dos territórios, as associações mantinham o pessoal na estrada toda a semana. Era como o wrestling deveria funcionar. O principal era os eventos ao vivo.

E eu introduzi uma ideia que era basicamente, que se lixe isso e vamos lá produzir eventos televisivos. Metemos todas as nossas economias na TV, adquirimos novo talento, e formamos um novo produto. Depois claro, quer fosse seis meses depois ou um ano ou quem sabe cinco, as pessoas começavam a gostar do que viam e gastavam o dinheiro delas ao virem ver-nos ao vivo.

As pessoas caíram para o lado.

Por muito que ninguém quisesses mais lutas politicas de poder, essas mesmo começaram a aparecer novamente. Entretanto, a pressão financeira começou a aumentar. Eu continuei a falar e a falar e tornei-me um pouco defensor. Começou por ser eu de um lado e depois do outro praticamente toda a gente, especialmente o Bob Dhue, o Don Sandefur, o Ole Anderson e a Sharon Sidello (que diziam estar enrolada com o Ole na altura), no outro.

Burned to the Ground

Entretanto, o produto caiu todo por terra. As pessoas não gostavam do que estávamos a fazer. Nos eventos ao vivo, passamos a não conseguir facturar nos grandes mercados assim como não conseguíamos facturar nos pequenos. Quando tínhamos de produzir os nossos programas televisivos,  acabávamos sempre por ter uma audiência de 250 pessoas. Bob Dhue e o Don Sandefur distribuíam bilhetes à borla. Tínhamos PPV em arenas de dez mil lugares, onde sete mil encontravam-se vazios.

Levou-me à loucura.

“Quando é que isto irá parar? Enquanto continuares a dar, porquê que achas que as pessoas se vão dar ao trabalho de pagar para ver?” Perguntava eu. As pessoas ficavam a olhar para mim, e eu tentava sempre explicar outra vez.

“Bob, vejamos, vais a um bar e sentas-te ao lado de uma rapariga jeitosa. Pagas-lhe uma bebida, e quando te apercebes é que estás num quarto de hotel com ela. Voltas na noite a seguir, e acontece exactamente a mesma coisa. E na próxima. E na próxima. Depois na quinta noite ela diz, ‘Vai custar-te cerca de cem dólares para ires até ao meu quarto.’ O que fazes? Já lá estiveste à borla. Claro que não vais pagar.”

Tinha sempre de fazer um cenário que eles conseguissem relacionar. Começamos a dar bilhetes à borla por tanto tempo que as pessoas pensavam que não tínhamos qualquer valor.

E isto não era só o problema dos nossos eventos ao vivo. Iamos produzir um evento televisivo e tínhamos um público miserável, metade deles baseavam-se em bêbados de garrafa na mão, e a outra metade era um vazio autêntico. Isso afectava bastante as performances dos wrestlers pois eles estavam a trabalhar em frente a pessoas praticamente mortas. E não se esqueçam do que disse sobre o que a audiência diz, reflecte sempre em casa.

Até os melhores programas eram uma porcaria. Pareciam regionais. Pronto, eram parvos. E isso era o que todo o mundo pensava da WCW. Mas, finalmente, eu arranjei uma ideia que irritou toda a gente… ainda mais.

M-i-c-k-e-y

Wrestling with Disney

No fim de 1993, eu fiz uma viagem até Orlando na Flórida, para dar uma vista de olhos aos estúdios da Disney-MGM. Eu pensava que, se fosse possível gravar o nosso programa no estúdio da Disney World, podíamos mudar a opinião dos outros.

Era muito mais pequeno do que aqueles que usávamos, mas com uma certa habilidade com a câmara dava para parecer maior do que era. Tinha melhor produção e luzes, portanto os programas seriam coloridos e iluminados. Podiamos filmar três a quatro programas por dia durante seis a sete dias, o que nos poupava muito dinheiro. E tínhamos imenso público que pelo menos ainda tinha todos os… dentes.

As pessoas que visitavam a Disney na maioria não eram fãs de wrestling, mas não tínhamos muitas alternativas a seguir. Tudo o que tínhamos eram bêbados de garrafa na mão.

De um ponto de vista televisivo, de um ponto de vista publicitário, e de um ponto de visto sindicatório, filmar na Disney iria dar-nos um produto que parecia muito melhor do que aquele que havíamos vindo a produzir. Não era o ideal, mas seria com certeza uma melhoria bastante boa.

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E mais importante que isso, eu sabia que se o nosso programa pudesse iniciar-se com o apresentador a dizer, “Apresentado dos Estúdios da Disney-MGM em Orlando, Flórida,” e combinar isso com uma imagem das torres Disney, a visão da WCW como uma secante promoção regional iria imediatamente mudar. Por mais improvável que possa parecer quando pensamos numa relação com uma companhia de wrestling , a verdade é que unirmo-nos a um monstro como a Disney iria ajudar-nos em muito em termos publicitários e claro, nas audiências. Iria parecer que éramos uma operação nacional. Podiamos finalmente ser vistos como competição à altura.

Mas gravar um programa de wrestling nos Estúdios da Disney-MGM?

Onde está o Mickey? E o Pulto? E o Pato Donald?

Mas tu perdeste o juízo?

Passei praticamente de um heresiarca ao Anti-Cristo em pessoa.

Just Do It

Havia claro alguns contras. Um estúdio de som era um estúdio de som e não tinha o que têm as arenas. Os estúdios de som podiam receber só cerca de oitocentas pessoas. E o público seria pessoas que visitariam a Disney, e não nós. A maior parte, não iria seguir as storylines ou saber quem era quem. Mas de qualquer maneira, os prós eram mais que os contra.

O Bob Dhue, Don Sandefur, Ole Anderson, Sharon Sidello e o Gary Juster (ele fazia os negócios com as arenas) achavam que eu devia ser enforcado. E sinceramente, não eram só os Bob Dhues espalhados por esse mundo que pensavam que eu tinha perdido o juízo. O Dusty Rhodes, com quem eu me dou bastante bem, pensava o mesmo. A maioria dos wrestlers não conseguia imaginar o programa num estúdio de som. Foi uma verdadeira batalha.

Houve imensas semanas de reuniões e debates. Todos tinham os seus pontos de vista, e nenhum deles concordavam com o meu. Finalmente, o Bill Shaw meteu-se ao barulho. O Bill achava a ideia um bocado arriscada, um bocado progressiva, não num sentido bom, mas por fim ele disse, “Parem lá de choramingar sobre leite derramado, nós vamos fazer isto.”

Wrestlers? In Disney World?

Conforme o debate decorria pelos escritórios da WCW, nada se comparava à reacção dos cerca de sete a dez executivos da Disney quando me encontrei com eles para discutir a ideia. A minha primeira reunião foi com o  Bob Allen, o vice-presidente dos Estúdios da Disney-MGM, que tratava de toda a produção dentro dos estúdios de som. Eu sentei-me e expliquei-lhe o que fazíamos, e disse-lhe o quando gostava de produzir os nossos programas dentro de um estúdio de som.

Recordem-se, que parte do negócio da Disney-MGM é tentar atrair a produção televisiva. Ele querem sempre manter os seus estúdios ocupados. Turistas entrariam e veriam como um programa televisivo era produzido, o que era uma das grandes atracções do parque. E, claro, as companhias que usavam o estúdio recebiam sempre uma grande quantia por isso.

O Bob adorou a ideia do wrestling na Disney. Mas ele sabia que tinha de vender isso aos superior porque iria ser…

Controverso?

Essa palavra não assenta bem. Radical, talvez. Parvoíce se calhar é a mais acertada

“Wrestling Professional” e “Rato Mickey” nunca tinham partilhado a mesma frase antes. Dois a três meses mais tarde, eu e outro executivo da WCW, o David Crockett, fomos a uma reunião com algumas das pessoas mais velhas da Disney. Estavamos cercados por uma dúzia de executivos da Disney. Eu podia adivinhar só de olhar para eles, que muitos deles não tinham qualquer desejo de ver sujeitos com mais de 100 quilos a andar por aí em trajes de wrestling na Disney World.

Depois de todas as apresentações feitas, eu comecei a apresentação. Quanto mais falava, o mais desconfortável as pessoas da Disney ficavam. Quando a reunião começou, todos estavam a olhar para mim, olhos nos olhos, receptivos e nada hostis. A meio da reunião já muitos deles tomavam a atenção noutras coisas. Era uma sala pequena, portanto eles não podiam simplesmente virar costas, mas se pudessem, acredito que o tinham feito. Estes executivos tinham uma visão bastante restrita sobre o que funcionava na Disney e o que não funcionava. Era como se eu estivesse a tentar vender gelo aos esquimós.

Para ser honesto, eles não demonstravam nenhuma preocupação pelo Wrestling, e na WCW em particular. Eu tive de os convencer que houve coisas que pareceram ser violentas dentro da companhia, mas isso era só uma visão das coisas. O programa sempre fora virado para a família, e seria ainda mais se fosse necessário.

A reunião não correra bem, mas o Bob Allen continuava bastante entusiasmado. Ele deve ter puxado bastantes cordelinhos, porque depois da terceira reunião conseguimos convencê-los a darem-nos uma oportunidade.

In Bischoff, Eric,
“Controversy Creates Cash”,

Página 103 a 110
(Tradução Livre por Hunter)

2 comentários a “Hunting Zone XLI”
  • Dre
    13 de Dezembro de 2009, 16:59

    Parabéns Hunter.
    Não desistas deste trabalho porque está a ser muito interessante.

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  • hugohhh
    13 de Dezembro de 2009, 16:33

    Muito bom Hunter, excelente tradução, grande trabalho que estás a fazer.

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