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Hoje vou-vos falar de um género de pessoa que pelo menos a mim me faz alguma comichão, ou melhor, que me dá algum gozo de ver retratado. Como se já devem ter apercebido, falo, claro está, do fã de wrestling, um dos estereótipos mais bem sabidos pelos visitantes da CWO (pelo que não sou o primeiro nem muito menos o último a fazer uma coisa destas). Aliás, atrevo-me a dizer que este tipo de espécime é igualmente conhecido e equiparável a um “Tuga” (homem com cerca de 50-e-poucos anos com um farto bigode e barriga proeminente), a um “Nerd” (tipo baixinho e anafado, com óculos, por volta dos 30 anos, geralmente com uma clara apetidão para informática), ou até – imagine-se! - a uma “Boazona” (loira de 1 metro e 90 cm, com uns voluptuosos seios e um rabo arrebitado, que para além de só se importar com compras e “sociais”, pensa que Paris é um país na América do Sul). Bem, mas deixando-me de conversa da treta, aqui ficam os meus pensamentos de pseudo-sociólogo acerca dos fãs de wrestling no geral. Basicamente é um manual para que o leitor possa usar e abusar, para que possa saber quando é – ou não é - um dito “fã” da modalidade. Ora tome nota. PARA SE SER UM FÃ DE WRESTLING É NECESSÁRIO: #1 – Não gostar de John Cena;
Convenhamos: quem é fã de wrestling não pode nem muito menos deve gostar de Cena. Está no sangue, digo até que é intrínseco. E porquê? Porque o proveniente de Massachusetts não passa de um tipo com uma gimmick muito esteriotipada, a de um novo American Hero (que está sempre pronto a ajudar e que nunca recusa um desafio). Para além disso, é o queridinho dos olhos de Vincent Mcmahon e dos demais putos, e o fã de wrestling não pode, sequer, idolatrar os mais aclamados pelas massas, pelo menos nesta nova vaga de fãs. Não é in, entendem? É de salientar também que, como disse um brasileiro não sei bem onde, “John Cena é que nem um Pokémon – só tem quatro golpes”, pelo que enfim, não faz do estilo deste espécime venerar o wrestler em questão. Sendo assim o fã de wrestling diz tão-somente “Cena?! Não, obrigado!” e já está. Quando não “gosta”, é a valer… #2 – Não gostar de Hornswoggle; Aqui é quase o mesmo exemplo que dei com o ex-campeão da WWE, tirando o simples facto que este pequeno não luta no ringue, aliás, nem sabe muito bem o que é isso. Mesmo não lutando, o anão consegue tirar proveito das massas, e passou a ser uma “mascote do povo”. A ser assim, é natural que o fã de wrestling não goste do dito leprechaun, mesmo trazendo publicidade e dinheiro à World Wrestling Entertainment. Até compreendo, se o senhor Dylan Postl não pratica WRESTLING, como é que um fã de WRESTLING o pode apoiar, venerar, gritar, enfim, torcer por ele? Seria totalmente contraditório. #3 – Preferir os heels aos faces; Ora aqui está outra coisa que define, em síntese, o género de pessoa que abordo hoje. Aos olhos do “fã de wrestling” os heels são melhores que os faces, ponto. E esse facto (para eles) deve-se à arrogância que este tipo de wrestlers emanam, a ridicularização que público é alvo, ao facto de serem odiados por todos, etc.
#5 – Querer a Attitude Era de volta; Outra das “regras de ouro” para se gostar da dita modalidade é esta. Um fã pensa mais ou menos desta forma: “se eu anseio novamente por algo que aconteceu há anos as pessoas todas vão pensar que compreendo bastante disso, porque, afinal de contas, eu não quero o presente como presente, quero o passado no presente, que são coisas completamente diferentes”. De facto, nem é nada utópico pensar dessa forma, porque o mundo não é composto por mudança e evolução! Ora essa! O mundo não é dinãmico, fica estagnado, bem como as ideias e opiniões… Ambicionar por algo que foi balizado há 10, 12 anos atrás é possível para o fã de wrestling, porque o fã de wrestling gosta é de conteúdos de cariz sexual, hardcoreiano e rebelde (três componentes bastante presentes nos anos ’90). E é por isso que a Attitude Era tem que regressar, porque a pessoa que gosta realmente disto e que compreende isto tem a necessidade de se afirmar; de ser rebelde – e nisso não há nada melhor que o saudoso tempo de Steve Austin. Fazendo a analogia, é como se as pitas nos dias correntes quisessem os Morangos com Açúcar mais picantes e violentos, porque elas sentem que é necessário se afirmarem numa sociedade mais conservadora, o que levaria ao povo lhes dar mais atenção, get it? Claro que compreenderam, vocês não são burros. #6 – Dizer que Triple H tem tudo o que tem devido ao facto de andar a “comer” a filha do patrão; “Como se fosse possível ter 12 títulos mundiais sem que não houvesse aí “marosca”! O Hunter não é nenhum Ric Flair”, dizem eles, cheios de convicção. E sim, na verdade não é. Nem tem um terço do carisma ou da prestação em ringue que esse veterano tem, portanto possuir quase tantos títulos mundiais quanto o dito é… rídiculo. No entanto, deixa de ser menos rídiculo quando se encontra a “verdadeira” explicação para o sucedido: o Trips é casado com Stephanie Mcmahon, que por sua vez é a filha do Mcmahon, que por sua vez é o patrão da empresa onde o genro trabalha! A ser assim, é natural que haja jogos de influências, pelo que Lesvéque nem ganhou 8 títulos de elevado gabarito antes de dizer o “Sim” no altar. Ainda que admitamos a hipotética qualidade de Paul, se é casado com algúem influente, então, não tem um pingo de valor e o mito cai por terra. O fã de wrestling é fantástico, arranja sempre bodes expiratórios. É de louvar! #7 – Preferir combates hardcore e simples spotfests do que rebuscados e eloquentes combates onde reina a psicologia de ringue;
A regra sete também é bastante aplicada aqui, pelo que todos querem ver sangue, cadeiradas, fogo, bumps, mesas a quebrarem, spots feitos por wrestlers armados em símios, etc., etc, do que um combate mais técnico, onde se usa o wrestling mais puro. O que interessa que o combate padeça de elevada psicologia em ringue se eu não sou nenhum psicólogo? De que me vale ver as expressões faciais, se o que eu quero é algo simples, directo e eficaz? Pois, estas são questões para as quais nem o próprio fã de wrestling tem resposta. Mas lá que os combates de wrestling mais puro são boring, lá isso são! #8 – Não gostar das “massas”, do “povo”, da “ralé”; Isso confirma o que eu tenho vindo a dizer, está na moda não está na moda. Se por exemplo todos gostam de algo, o fã de wrestling diz que não pode ser assim, ou não deve ser assim. TaL como já disse anteriormente, o fã de wrestling tem que se fazer sobressair, dê por onde der. E basicamente é isso. #9 - Ter tendência a apoiar companhias que podem eventualmente fazer frente à WWE e que não são tão conhecidas (nomeadamente TNA); Também esta medida/regra vai ao encontro com o que eu tenho vindo a dizer. Se se pode apoiar algo mais pequeno, correndo assim o risco de se sobressair, porque não fazê-lo? Já que a WWE é “só merda de entretenimento”, apoiar outras empresas é in (especialmente a TNA, que ultimamente tem estado na berra devido a essa nova vaga de fãs), e portanto é melhor. End of story. #10 – Criticar tudo, nada… E mais alguma coisa; O fã de wrestling é um crítico. É por isso é que é fã, porque, caso contrário, não seria fã, apenas seria um chavaleco/a que andava para aí ao sabor da maré. Agora, se critíca é porque tem opinião, e se tem opinião… Bem, se tem opinião pensa que, com o poder das palavras, pode mudar algo que, na sua óptica, está mal. Que nem um treinador de bancada, meus caros, que nem um treinador de bancada. Dando exemplos mais concretos: o Sheamus e a edificação de novas estrelas. Ora, quando se dizia que era necessário trazer sangue novo ao Main Event, muito bem, o fã concordava e aplaudia. Todavia, quando Sheamus foi coroado campeão, o fã de wrestling foi o primeiro a levantar-se e dizer “Não, não é isto que eu quero para a minha companhia! O tipo está muito verde para ostentar tal título”. Basicamente, criticou. E passa a vida nisto, o que não é mau, porque só quer o melhor para a empresa. Sempre descontentes e com alma de messias, assim são o fãs de wrestling.
Em conclusão, este estereótipo de pessoas dá-me alguma piada, só que no mau sentido. São mesquinhos, críticos, vão com a maioria da minoria (só percebe quem quer) e acham que conseguem fazer melhor, quando na verdade é que não têm nenhuma noção de gestão e de como é que as coisas se processam para aparecer o dinheiro ao fim do mês nos bolsos do tio Vince. Podem muito bem querer o melhor para a companhia, mas tem de compreender que o principal é o dinheiro, e o resto é conversa. Confesso que se por um lado tenho um pouco de fã de wrestling em mim, por outro, acho estes tipos de uma índole meramente hipócrita e sovina. Mas e então e tu, és fã de wrestling?! Espero que tenham gostado. Marco presença daqui a 8 dias, como já vem sendo hábito, nesta Galáxia laranja perto de si. Napster. Podes voltar à página inicial ou deixar um comentário a este post.
19 comentários a “Pensamentos e Letras III – Como ser um fã de wrestling em 10 passos”
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melhor. crónica. de. sempre. e tenho dito
os meus parabéns. há aqui muita gente a precisar de ler isto.
És um Lol, é isto o teu talento??
Só espero que se o Edge voltar Face não se torne menos bom aos olhos dos sabedores de Wrestling
?
Rated Leo, terás também de explicar o que disseste (isto se quiseres resposta), é que dão o dito por não dito e eu não compreendo patavina!
brinks
ter sua própria opnião?
“Tu disseste que quem gostaria de ter a Attitude Era de volta não tem noção da evolução. Mas eu tenho! Agora porque tenho, não significa que goste dela”
Sim, de facto não compreendi. Agora sim, já entendi o que tu quiseste dizer.
…? Que tal fundamentares as tuas opiniões? Aliás, que tal dares uma opinião?