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Olá a todos! Na faculdade, frequentando uma das cadeiras do curso de filosofia que tirava, um rapaz, não interessa o nome agora, teve de fazer um trabalho, proposto pelo professor responsável da cadeira, que calhava de ser o mais rigoroso de todos do curso, em que abordava as vantagens, caso houvesse, e desvantagens de uma vida em caos. O rapaz, que só estava naquele curso por imposição do pai, não tinha muitos recursos quando o assunto era passar para o papel as vagas ideias que lhe assolavam a mente, dentre as poucas de algum interesse e que não incidissem em “vadiagem”, como seu pai gostava de chamar.
Trabalho feito, trabalho entregue. Era noite. Essa era a altura do dia preferida que o professor tinha para corrigir trabalhos e exames, já que era a altura do dia que se encontrava mais “azedo”. Ao tirar da pasta os trabalhos, o do rapaz era o primeiro. Sem preferêcias, por esse mesmo começou, sem esperanças de ler algo de qualidade, ou não viesse o trabalho de quem vinha… Endireitou-se na mesa e começou. “A palavra confusão tem conotação positiva pouquíssimas vezes. Também o wrestling, como forma de arte, não poderia ser excepção, a tal palavra e, quando a confusão se instala como realidade, seja numa brand, numa companhia ou no trajecto de uma storyline ou wrestler, o resltado pode não ser positivo. A seguir a confusão, instala-se o caos. Esta, ainda mais que a anterior, é uma palavra que desejamos evitar a todo o custo durante o percurso da nossa vida mas que, em certos segmentos da arte, será útil que se entranhe e dará, para quem aprecia aquela forma de arte, entretenimento que chegue, ou não fosse esse o propósito de qualquer forma de arte. Infelizmente, para se conseguir tirar partido do caos é necessário uma grande capacidade criativa e intelectual, já que controlar o caos para que ele não descarrile a arte é uma tarefa árdua e propícia e muitos acidentes de percurso. Infelizmente, como já disse, os mais criativos, os que pensam mais alto e que até alcançam algum controlo do caos, tendem a deixar passar pequenos pormenores que, de mãos dadas com outros, transformam-se numa bola gigantesca para ser controlada. Sim, o caos alimenta-se dele mesmo. Tal como o caos é bipolar, tal como os que o criam e controlam são bipolares, por conseguirem criar um ímpeto positivo ao mesmo tempo que deixam escapes negativos descontrolados, também o apreciador do caos acaba se tornando bipolar já que do entretido ao frustrado, está a distância de uma escapadela mal controlada. Dando um exemplo fácil para que qualquer um possa entender, cito a companhia de wrestling, TNA. Ela está nas mãos de dois profissionais que conseguiram recriar a indústria controlando e gerando o caos. Foram, contudo, uma vez destruídos pelo mesmo caos que construíram. Hoje, estes profissionais tentam refazer seu trabalho na TNA. Nas mãos dos criadores do caos, o iMPACT! dá, a quem o vê, momentos de entrenimento puro atrelados a momentos de tamanha frustração que apenas dá vontade de trocar de canal e nunca mais assitir tal programa. A vantagem do programa em caos? Ninguém sabe o rumo que cada estória contida no programa irá tomar. Não sei como terminará o caso Jeff Jarret/Hogan, não sei como irá continuar a rivalidade interessante começada entre Bischoff e Foley que, após o término do último iMPACT!, apenas parece ter acendido e nunca terminado, não sei o que sairá das acusações e agressão de Angle a Hogan, não sei se Hogan voltará a encarnar um dos melhores heels que já vi, não sei quem será o próximo candidato ao título já que, mais ou menos preparados, o mid-card tem excelentes atletas preparados para dar o salto, não sei se o Jeff Hardy está na TNA ou não, não sei o que será de AJ Styles agora que está sob a asa de Ric Flair e parece seguir os passos do “Nature Boy”, não sei se “The Band” voltará ou não (na verdade eu não sei como eles irão voltar já que é certeza de que voltarão) e, por fim, não sei o que fará Sting que tem-se limitado a olhar, com um ar de desaprovamento, para o que tem estado a acontecer na TNA desde a chegada de caras bem conhecidas.
O caos está instalado no programa e, nesta face positiva, resume-se aincertezas que são factores cruciais num programa de wrestling, já que a capacidade de surpreender agarra espectadores. Salienta-se também a inteligente posição dos criadores do caos, Hogan e Bischoff. A presença deles foi suficiente para modificar completamente a face do programa, sem ter sido preciso amarrar o programa a volta do wrestler Hogan, o iMPACT! apenas está atrelado a imagem de Hogan e a sua capacidade superior ao microfone. A desvantagem do programa em caos? O próprio caos! Não entendo como a TNA parece ter abandonado a X-Division, não entendo como o Joe está afastado dos programas, não entendo como o Desmond Wolfe pode ficar sem aparecer num iMPACT!, não sei como o Val Venis pode ter espaço no quadro de empregados da companhia, não entendo como que, num combate de duplas, 3 dos 4 intervenientes já deveriam estar reformados e, mesmo assim, quem sofre a derrota é justamente o que ainda tem de crescer e se afirmar, o mais novo. Até poderia pensar que esse atleta jovem seja um jobber mas, por incrível que pareça, ele não é e até tem um cinto de campeão a cintura. Não entendo como a British Invasion pode perder espaço na TNA, quando são uma tag-team de qualidade, não entendo como eles podem decidir acabar o main-event do Genesis da forma como acabaram, deixando uma imagem tremida de tudo de excelente que antes havia sido feito no combate. Por mais que entenda que o heel-turn deveria ser feito, a maneira foi algo frustrante. Não entendo como o Pope, destaque actual do mid-card da companhia, pode ser derrotado pelo Orlando Jordan que, mesmo não sendo um cepo, não tem perspectiva de futuro alguma. Não entendo como um contratado da empresa pode falar mal da mesma, por mais que esteja ajudando a alargar a base de fãs, já que existem os fiéis seguidores do Bubba ” The LoveSpongebob Squarepants”. Não entendo como se pode trabsformar o Abyss num cordeiro e, mesmo assim, tentar usá-lo para “pushar” alguém, simplesmente não irá resultar! Não entendo a relutância em soltar os jovens leões famintos que existem no plantel! E o pior, os momentos frustrantes tendem a existir logo a seguir aos grandes momentos de dúvida que o programa cria, os grandes momentos do caos controlado, intercalando e quase anulando. Como disse, na TNA, o caos está se alimentando sozinho das pequenas deixas que os responsáveis ignoram e danos estão sendo feitos já que os homens errados estão vencendo e sendo convocados ao programa, uma divisão histórica da companhia está sendo esquecida e más decisões envolvendo wrestlers de qualidade (Abyss, Young e a British Invasion) estão sendo tomadas. Felizmente, ainda apesar de tudo, o caos positivo está se sobrepondo. Cada fim de programa ou PPV, a minha vontade é a de que a semana passe rápida para que o próximo programa chegue, tanto para juntar as pontas soltas e dúvidas criadas na semana anterior como para ver se os erros foram reparados. Assim sendo, tenho que concluir que este caos da Total Nonstop Action, ou deverei chamá-la Total Nonstop Chaos(?), que os mostres do caos, mais uma vez, estão conseguindo domá-lo para construir um futuro. O caos, contudo, é um perigoso alicerce.” O rapaz recebeu, no dia seguinte, seu trabalho corrigido. A nota era zero. Foi pedir justificações ao professor. - Wrestling, meu rapaz? O senhor vem para uma faculdade de filosofia falar de wrestling? – Seco, justificou-se o professor. Um zero não agradaria seu pai, certamente, porém, o rapaz tinha acabado de ganhar inspiração para um trabalho de outra cadeira, cujo tema era “O preconceito como ferramenta da estupidez humana”. O rapaz aprendera que o caos na vida, tal como no wrestling, tem sempre duas perspectivas. Até a próxima! PS: Apenas eu acho que o AJ não vai bem como heel? Podes voltar à página inicial ou deixar um comentário a este post.
4 comentários a “Tropicália 80: O caos”
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^ Isto.
O Flair, ao que parece, também quis trabalhar como heel e, portanto, uma coisa levou à outra.
Creio que ele poderia se manter como face e ter o Flair como tutor.
Creio que o que a TNA vai querer fazer será transformar o AJ num novo “Nature Boy”, salvando as devidas proporções, claro, enquanto Flair esteve no seu auge, que foi como heel.
De qualquer maneira, isso evidencia um push sólido ao AJ, o que é positivo.
Eu também acho que não vai bem como heel. Eu não percebi, aliás, a necessidade de fazerem o turn ao Styles. Terá sido pela chegada do Flair?
nop, não és o unico. ele realmente como heel não presta, faz sempre uma personagem apatetada