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Há coisas que só estão destinadas a acontecer uma vez, e que nessa mesma vez permanecem nas memórias mais recônditas de qualquer ser humano que se preze. Devido à sua especialidade e contexto histórico-social, há momentos imortais e que não precisam de ser “repescados” vezes sem conta para que nos lembremos deles; afinal, de certa forma, ficaram na retina. E têm uma aura que se dá pelo nome de mística. Julgo que isto seja um ponto assente para todos. No pro-wrestling as coisas, na maior parte das vezes, processam-se dessa forma. Tudo o que é passado e foi brilhante fica na gaveta nos dias que correm, é um processo natural, até porque a dita mística pode-se perder quando os conceitos são utilizados desalmadamente. Porém, noto que a WWE anda a apostar em coisas que aconteceram num passado mais ou menos recente (mediante o que se estiver a falar) e que tenta impingir aos fãs combates, feuds, angles, o que seja, quase como show principal. Tudo isto poderia ser óptimo, caso não fosse a mística que, a meu ver, se perde quando “respescam” situações que só devem acontecer uma vez na vida. O exemplo mais flagrante é o da pseudo-feud (que me perdoem os mais cépticos/humildes, mas hoje não estarei aqui com elogios exacerbados quando não é, neste caso, o que penso) entre Vincent Mcmahon/Bret Hart. OK, não sou hipócrita: fiquei literalmente ansioso quando li a notícia que nos dava a conhecer que Sir Hart estaria de volta à empresa onde trabalhou uma vida. Muito provavelmente este regresso, ainda que só temporariamente, iria colidir com o big boss chamado Vincent Mcmahon. E assim foi, ou melhor, e assim está a ser. Contudo, a forma como a feud tem sido bookada… Bem, deixa muito a desejar. Esperava mais, está-me a saber a pouco. Para os moldes em que a rivalidade está a ser cozinhada (o mítico Montreal Screwjob, caríssimos) creio que tudo deveria ser mais saboroso, mais colossal, mais duradouro, mais épico… mais interessante. Perdeu a sua mística. Aquilo que dantes se discutia a veracidade (Montreal Screwjob) está nos dias correntes a ser “repescado” e posto numa storyline de merda. Mas ainda gera controvérsia, apesar de já não ser tão… místico. Honestamente, no momento em que redigo este texto, “The Excellence of Execution” passou de súbtil e épico a banal e desinteressante. Pelo menos, é essa a ideia que a WWE tenta passar, a de um Bret Hart inconformado, velho, gasto, quase como um cão sedento por vingança. Enfim, não me contenho em citar Alexandre Bettencourt: “Preocupa-me o que estão a fazer à personagem de Bret Hart neste momento. Passou do mais aclamado e desejado lutador da última década e meia, a ser caracterizado como “criança crescida” sem muitas cartas para dar, fazendo figuras de tolo e coitadinho. Não sei se era isto que mais alguém esperava com o regresso de uma das mais conceituadas estrelas, possivelmente da história do wrestling, mas não era o que eu esperava. Naturalmente que faz todo o sentido que o vilão da história leve a avante até ao confronto final, mas quando isto se faz de um modo em que o herói é reduzido a escombros e não tem muito por onde pegar, então o desenvolvimento da história é mal concebido, e o herói paga caro.” Concluíndo o assunto, e correndo o risco de me estar a repetir (até porque falei nisto há umas semanas atrás), tudo poderia ser mais abrilhantado. Na Wrestlemania ou a WWE saca um coelho da cartola, ou então, basicamente, “a montanha parirá um rato” e não passará de um mero flop o que se tentou construir.
Por seu turno, o segundo assunto que me leva a escrever esta semana para o maior blog de wrestling em Portugal prende-se ao facto de os bookers, com o consentimento do clã Mcmahon é claro, nos levarem ao cinema para visualizar o take-2 de uma sequela que deveria já ter saído da bilheteira há quase um ano. Deixando as metáforas de lado (na verdade, foi o meu pseudo-momento Dr. House, deixem lá), estou-me a referir à segunda parte, por assim dizer, de Shawn Michaels vs The Undertaker, que se tudo correr como o planeado terá o seu fim na Wrestlemania XXVI (26). “The Heartbreak Kid” intreferiu-se no caminho de Mark Callway, até porque podia-se dizer que o mesmo estava obcecado por ‘Taker (in persona), e isso valeu-lhe um embate no “Biggest Stage of Them All” já daqui a 21 dias. A questão que se coloca em relação há feud não é “Porquê?”, mas sim “Para quê?”. Antes que as “más línguas” comecem a preparar os seus dedos para me bombardear com insultos na caixa dos comentários, devo salientar que estou ciente da qualidade dos envolvidos. Não se coloca a questão “Será que vão porpocionar espetáculo?”. Não. Não se coloca, de maneira nenhuma. Todavia, não compreendo, por mais que ponha a massa cinzenta a trabalhar, qual a utilidade de se enfrentarem mais uma vez, um ano volvido. Por muito que tudo seja bem trabalhado, aliás, o que é apanágio destes dois monstros do ringue, e por muito que se conte a história, penso que não será necessário. Aconteceu há 12 meses. Está na retina. A mística ainda paira no ar. Contudo, e como se vê, parece que a mística vai tender a perder-se. Tudo bem que vai ser expectante (para a maior parte dos fãs), porque enfim, “todos” estão para ver se a streak será (finalmente) quebrada, e todos vivem nessa ilusão… Mas o certo é que irá acontecer o 18-0, não se iludam. E com isto não digo que Hickenbottom se retire, até porque não imagino um wrestler com “n” anos de carreira feita se retirar no palco onde ganhou a alcunha de “Mr. Wrestlemania” às mãos de uma pessoa, apesar de influente no meio, que nunca “lidou” com esse mesmo wrestler durante o percurso traçado. Para mim, se há wrestler que deve acabar a carreira de HBK (isto em combate) esse wrestler é Triple H. Mas isso são outros quinhentos. Não deixará de ser uma contenda interessante, mas que poderia muito bem ter “ficado na gaveta”, já que o combate anterior foi épico; não necessitava (independentemente do vencedor) de novos takes para se afirmar. Voltando às metáforas, foi um sucesso de bilheteira, in deed, mas que só deveria ser visionado uma vez na vida. Há coisas que só devem acontecer uma vez na vida.
Até para a semana, e já sabem, podem encontrar-me no TaL, Twitter ou WA. Marco presença daqui a 8 dias, Galáticos. Napster. Podes voltar à página inicial ou deixar um comentário a este post.
5 comentários a “Pensamentos e Letras VI – A banalização da mística”
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Já agora que vejo tanta insistência para um HBK vs. HHH… Analisemos bem as coisas:
- Já foi uma “feud” que viu combates de toda e mais alguma coisa: Hell in a Cell, Street Fight, Last Man Standing, Ladder Match e Steel Cage (dentro do Three Stages of Hell), combates regulares, Triple Threat, etc.
Penso que se acontecesse um combate entre os dois numa Wrestlemania, a fasquia teria de estar mais elevada, e como é possivel elevá-la mais!? Acho que até nem faria muito sentido… Faziam um Iron Man Match para tirar destaque às outras estrelas não?
Este HBK vs. Taker tem uma fasquia mais elevada que a do ano passado, e todos os outros combates entre ambos, enfim, arrisco-me a dizer que não foi exactamente neste padrão actual, tínhamos diferentes Shawn Michaels e Undertakers (em termos de personagens, frescura fisica, etc.) e até acho que as pessoas nem se lembram desses combates sequer, nem da “feud”, por isso, a fasquia está mais elevada!
Mas por que raio toda a gente acha que o combate de despedida de HBK tem de ser com Triple H?
Porque é bonitinho ver o seu melhor amigo a reformá-lo? -.-’
Digam-me lá o beneficio que isso traria para o business ver um gajo que já venceu tudo (já em 2001 ele dizia que tinha vencido tudo, quanto mais agora…) retirar outro wrestler.
Querem fazer algo bonitinho mas útil?
Estreou-se há pouco tempo no roster da WWE um jovem bastante prometedor que foi treinado por Shawn Michaels (Daniel Bryan), porque não ser ele a participar no seu último combate, quanto tiver um “star power” mais elevado, de forma a haver uma espécie de passagem de testemunho?
Yahtzee, uma coisa é a forma como tu vês o pro wrestling, outra é como os marks, que acreditam na veracidade disto e não têm acesso àquilo que se diz pela Internet, vêem, e esses não têm acesso às noticias de que ele quer tirar umas férias porque não pode com o cu.
Só têm acesso àquilo que vêem no wwe.com ou então pelo que vêem, e que até é um HBK que disfarça bem e mexe-se melhor do que muitos jovens que por lá andam.
Pode ser uma forma de estar a fugir à realidade, mas já aconteceu várias vezes…
E não, não acho que deva ser algo adaptado todos os anos, até porque nem sempre HBK tira férias, em 2008, por exemplo, não tirou.
As pessoas (as ingénuas que acreditam na veracidade do wrestling) ficaram com a ideia de que HBK foi quem esteve mais perto de quebrar a streak, ora sendo ele o Mr. Wrestlemania e tendo essa ficando-lhe atravessada, até não acho mal este pedir a desforra. Se formos a ver bem, o “angle” até foi bem construído, começou nos Slammy Awards.
E obviamente se isto fosse feito no próximo ano ou daqui a dois anos, acho que se calhar não estaria tanto na memória dos fãs, e ao acontecer uma segunda vez o combate entre os dois, teria de ser nesta WM!
Para o ano inventam outra coisa…
Sinceramente, acho que este Streak vs Career vai ser, sem dúvida, o melhor combate desta Wrestlemania.
Também ja todos viram um Batista/Cena no Summerslam de 2008, e como todos devem ter reparado, o combate nao foi nada de especial -.- Mas é engraçado que desse ninguem se queixa! Ou muito me engano ou vamos levar com 20 minutos de seca destes dois, a menos que alguem se lembre a tempo de tornar o combate um “No Holds Barred Match” ou assim
Tal como o Dave referiu acima, o clássico The Rock vs Stone Cold foi repetido várias vezes, e pessoalmente, considero o Undertaker vs Shawn Michaels do passada Wrestlemania francamente melhor, senão mesmo um dos melhores combates de sempre da historia do wrestling profissional, nao ha motivos para o repetir? Por favor…
Talvez concordasse com a parte do combate ser “repetitivo”, se não tivesse esta estipulação á mistura, este ano sim, ao contrário dos últimos 5 anos, faz-se história numa Wrestlemania.
Mais um pelo texto da tua parte Napster, focaste dois pontos interessantes sendo que um deles eu ja tinha referido na minha crónica anterior. Penso que tens muita razão quanto à perda de alguma mística no que concerne aquilo que Bret Hart significa para o Mundo do Wrestling assim como da própria definição de screw job que durante tantos anos foi discutida e agora se vê um pouco banalizada.
Jericho, quando dizes, e passo a citar, “Se HBK todos os anos se retirar por uns meses para curar de lesões, os fãs começam a olhar para ele como um velho que já não pode com o cu, assim, ao menos, perdeu um combate fantástico com Undertaker e acho que isso não é tão descridibilizante”, não achas que isso é uma clara tentativa de fugir à realidade ?
Primeiro, a mim também me custa admitir que o HBK está velho mas essa é a verdade, sim é verdade que continua a combater e a proporcionar bons espectáculos mas já é numa base muito ocasional e com o relógio biológico ninguém mexe e é um facto que o dele já vai bem avançado. Em segundo, se seguirmos essa ideologia o futuro do HBK na WWE seria tê-lo todos os anos a combater com o Undertaker para justificar as paragens que o seu corpo implora por ter durante uma data de meses. Se o resultado final aqui for mesmo acabar com a carreira então que o fizessem com o grande Triple H, além de ter muito mais significado, assim como teve ser o HBK a acabar com o Flair, faria muito mais sentido do que termos um take 2 do combate que nos proporcionaram estes dois na Wrestlemania transacta.
Em relação ao Bret Hart, concordo contigo, até porque muitos dos jovens fãs da WWE apenas o conhecem de nome, não têm qualquer razão para ter empatia com ele… o combate entre ele e o Vince vai ser curtissimo, não tenham dúvidas.
Sobre o HBK vs. Taker, já não concordo tanto contigo, questionas a utilidade de um combate entre eles, bem, então vou tentar responder:
- Haver um combate em que o espectáculo à partida está garantido
- Libertar outras estrelas com mais para dar à WWE no futuro para os combates principais
- Se HBK todos os anos se retirar por uns meses para curar de lesões, os fãs começam a olhar para ele como um velho que já não pode com o cu, assim, ao menos, perdeu um combate fantástico com Undertaker e acho que isso não é tão descridibilizante
- Baralhar os fãs: Apesar de todos darem como certa a vitória do “Morto”, no sub-consciente de cada um começam a surgir coisas como “epah, não vejo o HBK já retirado” ou “hmm… não acho que o Taker vença duas vezes seguidas”, e isso, baralha os fãs, cria emoção para o combate! Se calhar, se fosse um Taker vs. Cena e um HBK vs. HHH, não haveria tanta emoção.
- O facto de haver um “take 2″ não desmistifica um combate, às vezes, até mitifica ainda mais os encontros, tornando-os históricos, por exemplo, The Rock vs. Steve Austin aconteceu três vezes em Wrestlemania, fala-se muito nos confrontos entre ambos, fala-se na série de combates entre CM Punk e Samoa Joe, na série de combates entre Ric Flair e Ricky Steamboa, isso é algo positivo, há o sentimento de guerra e não de simples batalha, agora cabe à promotora não fazer disso algo aborrecido, algo que a meu ver não está a acontecer com Taker vs. HBK. Quem sabe se daqui a uns anos não estaremos a falar dos combates clássicos entre estes dois?